Três tesouros e o início de tudo!

Robert Louis Stevenson, célebre escritor escocês que viveu entre 1850 e 1894, escreveu diversos livros sendo um deles “especial”, chamado A Ilha do Tesouro. Este livro é um clássico da literatura infanto-juvenil, e marcou muito não só minha infância mas minha vida.

Quando criança li este livro algumas vezes e, não sei bem o motivo, mas gostava muito de um personagem em especial: o Capitão J. Flint, comandante do navio Walrus. o Capitão J. Flint, ou como eu gostava de chamar, o CJ, era um pirata muito astuto que conseguia saquear enormes fortunas, enterrando em algum lugar do Caribe. Não foi por causa das iniciais do meu nome, mas sim deste renomado pirata, e da minha mania de chamá-lo de CJ, que meus amigos mais íntimos também começaram a me chamar assim: CJ. Sorte a minha eu não ser um pirata, e mais sorte ainda as iniciais do meu nome serem CJ, pois pude utilizá-las por muitos anos e na verdade ainda utilizo.

Bom, agora voce já sabe não só de onde vem o CJ, mas também o título de capitão. É verdade que este seja o início do CJ, mas não o meio e nem o fim. Carl Johnson, ilustre protagonista do notável jogo Gran Theft Auto San Andreas foi o que me fez virar um gamer. Sim, eu jogava muitos jogos desde criança e já joguei de tudo um pouco, mas o GTA San Andreas foi um marco para mim. O game me fez, na época, comprar um computador mais poderoso para poder rodar “liso”; bom, esse foi meu primeiro PC gamer!

CJ, como era gentilmente chamado por seus amigos e familiares no jogo, se tornaria a minha primeira marca como gamer. Novamente aproveitando as minhas iniciais, fui intitulado, agora no mundo gamer, como CJ. Muitos amigos jogavam San Andreas e, assim como aconteceu quando eu era criança de me chamarem de CJ por falar tanto do Capitão J. Flint, também aconteceu muitos anos depois de ser chamado de CJ, dessa vez de tanto falar no jogo e seu personagem inesquecível Carl Johnson.

Eu não somente iniciei minha carreira gamer com o GTA San Andreas, como ainda muitos anos depois continuei jogando este clássico. Não foi a toa que o game ganhou diversos prêmios, e que me cativou demais, é realmente um tesouro dentre os jogos. Apesar da violência contida no jogo, poder ter a liberdade de fazer o que queria no jogo em mundo aberto, sem que necessariamente tivesse que jogar apenas por missões, fez com que eu passasse horas e horas em frente ao monitor.

Mais do que nunca, agora eu definitivamente era o CJ. Mas algo inesperado aconteceu, um novo tesouro entrou em minha vida: conheci minha namorada, agora esposa, Kelly. Naturalmente, após algum tempo, eu queria que o nome dela de alguma forma fizesse parte também da minha vida de gamer. Assim, tive a ideia de fazer algo tanto engenhoso quanto diferente: utilizar o K, de Kelly, em meu nickname mas sem deixar de lado minhas raízes como CJ. Depois de pensar algum tempo sobre o assunto, a solução me veio e me parecia tão obvia quanto lógica. Acompanhe meu raciocínio:

  1. vamos decompor a letra K nos caracteres | e <. Observe que se juntarmos esses dois caracteres fica razoavelmente parecido com a letra K, veja: |<
  2. agora vamos olhar com atenção aos dois caracteres citados acima. O < lembra a letra C feita com linhas retas e o | meio forçadamente lembra o J, também feito com reta
  3. ok, eu já havia conseguido tornar o CJ em um K. Talvez  “embutir” seja um termo mais adequado e não “tornar”. Agora eu precisava descobrir como usar o K. Não faria sentido simplesmente mudar de CJ para K. Foi então que me ocorreu a ideia de manter minhas raízes mais profundas, não somente deixando implícito o CJ (mesmo que fora de ordem), mas intitulando-me Kapitão.

Bom, o passo 3 do raciocínio resolveria tudo: CJ estava implícito no K, letra essa que trocada pelo C, me chamaria, no mundo gamer, Kapitão.

E foi assim, que esses três tesouros que entraram na minha vida: um livro, um jogo e minha esposa, fizeram de mim quem eu sou hoje. Kapitão Gamer!

 

 

Imagem destacada de Richard Mc Neil, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons

 

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